Hoje,15 de novembro, é o Dia Nacional da Umbanda

Hoje,15 de novembro, é o Dia Nacional da Umbanda. Saiba mais sobre sobre o surgimento da religião e a escolha desta data para homenagens.

Saiba por que se deu a escolha de 15 de Novembro, Dia Nacional da Umbanda, para ser o dia de homenagens a essa religião

Texto extraído do jornal “Gira da Umbanda” de 1976:

“O CONSELHO NACIONAL DELIBERATIVO DA UMBANDA-C.O.N.D.U. – por intermédio de sua representante no Estado do Amazonas, a Cruzada Federativa Espírita de Umbanda,  tomou conhecimento do comentário da sessão “Umbanda – Quimbanda”  do jornal  “ A Notícia”,  de Manaus,  em 11 do corrente mês,  sob o título “Escolha Justa”,  no qual se lê que  “ a suposta escolha de 15 de novembro para ser considerado o Dia da Umbanda,  sugerida num encontro umbandista, no Rio de Janeiro, vinha decepcionando”…

Dizia, ainda, que  “a data diz respeito à  Proclamação da República,  nada tendo a ver com a Umbanda, o que significa que foi sugerida por profanos, por quem desejava apenas homenagear um centro”… ”Os umbandistas amazonenses disseram que o 13 de Maio, data da libertação dos escravos é realmente a mais indicada”.

O C.O.N.D.U. esclarece que:

A data de 15 de Novembro foi proposta pelas entidades federativas do Rio de Janeiro, na I Convenção Anual deste Conselho,  da qual participaram 25 federações,  representando a maioria absoluta dos Estados;  e que não opuseram qualquer objeção à escolha.

Entre as datas sugeridas – 13 de Maio, consagrada aos Pretos Velhos –  e 22 de Novembro – dia de Araribóia –  venceu por unanimidade 15 de Novembro.  

Nessa data,  em 1908,  manifestou-se pela primeira vez, numa sessão da Federação Espírita,  em Niterói,  uma entidade que declarou trazer a missão de estabelecer um culto,  no qual os espíritos de índios e de escravos poderiam desenvolver seu trabalho espiritual,  organizado no plano astral do Brasil.  

Na época, esses espíritos aproximavam-se das reuniões espíritas, mas as suas mensagens eram recusadas. Pois eram considerados pelos médiuns espíritos impuros e atrasados. Visto que se apresentavam sempre na condição de humildade.
A entidade,  que se apresentou aos videntes como um mentor espiritual, apresentou-se com o nome de CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS.

Casa das Neves, em São Gonçalo-RJ

No dia seguinte,  verdadeira multidão compareceu à residência do médium – um jovem de 17 anos,  Zélio Fernandino de Moraes, de tradicional família fluminense.  A entidade manifestou-se e determinou, então, as normas do novo culto, que teria o nome de UMBANDA. Declarou, ainda, fundado o primeiro templo de Umbanda,  cuja prática seria exclusivamente a caridade espiritual, através de passes, desobsessões e curas de enfermos.

O templo,  que tomou o nome de Tenda Nossa Senhora da Piedade, funciona ainda hoje,  no centro do Rio de Janeiro (Rua D. Gerardo, 51) com uma filial ( Cabana de pai Antônio ) num sítio em Boca do Mato,  Cachoeiras de Macacu,  completando,  em Novembro próximo, 69 anos de atividade.

Prosseguindo a sua missão,  o Caboclo das 7 Encruzilhadas fundou mais 7 templos,  cujos dirigentes foram escolhidos entre os grupos de médiuns preparados nas sessões doutrinárias que a entidade estabelecera,  às quintas-feiras à noite,  para esclarecimentos sobre a doutrina espírita,  o Evangelho e as normas ritualísticas da Umbanda.  Estas normas determinavam:  médiuns uniformizados de branco, cânticos sem acompanhamento de atabaques nem palmas ritmadas;  preceitos baseados apenas em água, amaci de ervas,  flores e pemba, atendimento totalmente gratuito,  não sendo admitido estabelecer nem aceitar retribuição financeira de espécie alguma.  Os templos, organizados administrativamente,  mantinham-se pelas contribuições dos associados.

Milhares de templos,  em quase todos os Estados,  descendem desse grupo inicial,  conservando, em sua maioria,  a pureza da doutrina e da ritualística.  Formou-se assim a religião de Umbanda – denominada,  de início,  Lei de Umbanda,  ou Linha Branca de Umbanda – cujos mentores são os Caboclos e os Pretos-Velhos.

Justifica-se,  portanto,  a escolha da data de 15 de Novembro,  por não se prender apenas a uma das falanges principais da Umbanda e sim a ambas, ou seja,  Caboclos e Pretos Velhos.

A referência feita à Proclamação da República deve-se ao fato de ter sido ela determinante na promoção da igualdade religiosa estabelecida pela primeira vez na Constituição da República. Pois, em 1889, o Estado deixou de ter uma religião oficial,  permitindo, assim, que todos os credos, inclusive a nossa doutrina, se difundissem livremente.”

(Jornal “Gira de Umbanda” 1976)

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